Andei sumida. É que é complicado levar um blog adiante. Mas é mais complicado ainda quando ele trata de assuntos pessoais e - agora vamos elevar o complicado ao cubo - quando esses assuntos não são histórias de sucesso, "humildemente" compartilhadas com os amigos que infalivelmente nos felicitarão e admirarão.
Andei visitando a escola onde cursei meus seis anos de Ensino Médio, o antigo Segundo Grau. Sim, seis anos para terminar um curso de três, mais comprido, portanto, do que meu doutorado em Letras. Vamos combinar que eu tenho conhecimento de causa quando se trata de repetência. Sou hiper-pós-graduada. E uma coisa que não me sai da cabeça é que repetência escolar é fruto do descaso. Aha, "descaso por parte dos alunos, que não querem estudar", me diriam colegas que andam injuriados com a profissão. Mas eu acho que, de parte dos alunos é só um grito por socorro, mesmo. O descaso é institucional e a instituição em questão normalmente não é uma só, mas é um misto de escola, família, Estado... ou seja, todas coisas de somenos na vida do indivíduo não é? Nada que influa muito na sua formação.
Ironias a parte, sei que esse descaso não é somente fruto de ma fé, mas, em muitas ocasiões, fruto de impossibilidades de se oferecer algo melhor, ou até, de se oferecer algo para o jovem repetente. Foi assim no meu caso. É quase incacreditável eu observar, hoje, que a família de uma adolescente que reprovasse tanto quanto eu não tivesse sido chamada até a escola. Mas não foi. Meu pai teria feito um barulho danado se soubesse que eu reprovava por faltas, por exemplo. E eu tinha muito medo disso (tinha muito medo da reação dele) mas mesmo assim, faltava. Donde se conclui que meu grito de socorro não deu em nada. Tive de esperar amadurecer sozinha e finalmente querer sair da escola para conseguir dar o passo necessário na direção de outra etapa de vida.
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Homenagem
O nome desse blog é uma homenagem ao Gilberto Dimenstein e ao Rubens Alves que tiveram a coragem de lançar um livro intitulado "Fomos Maus Alunos" (São Paulo: Papirus, 2003), que muito me comoveu. Eu desconfio, não, na verdade tenho certeza, de que muita gente boa, inteligente, criativa e talentosa tem histórias de fracasso escolar pra contar. Como eu. No quesito fracasso escolar, bem entendido. Então talvez eu leve esse blog adiante e conte a minha história. Talvez, também outras se somem às minhas, histórias de gente que se identifica com o verso que diz: "nunca conheci quem tivesse levado porrada". Mas não é só disso que trata esse blog. Outras divagações acerca de família, maternidade e congêneres também podem aparecer por aqui.
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